Grupos de Alcoólicos Anônimos presta atendimento a alcoólatras há 38 anos em Canoinhas
Foto: Adriane Hess
No dia 02 de outubro de 2018, o grupo Paz e Amor de Alcoólicos Anônimos (AA) completa 38 anos de atuação em Canoinhas. Ao longo destas quase quatro décadas, o grupo estendeu a mão a quem sofre com a doença do alcoolismo, seja física ou psicologicamente.
Nesse período, o grupo mudou a vida de pessoas que hoje, graças às reuniões semanais, conseguem reunir forças para buscar a sobriedade e enfrentar o vício.
Nos encontros, um dos momentos mais importantes é quando os participantes podem compartilhar suas experiências com os companheiros – como se chamam entre si.
“O mais importante da reunião são os depoimentos dos companheiros de AA. Eu posso falar do meu alcoolismo. Sei que quem tem problema com álcool sou eu, dos demais companheiros eu não posso dizer nada. Essa é a forma que tratamos aqui dentro. Com esses depoimentos, o companheiro está me ajudando”, afirma um membro* do grupo.
Ao receber os novos participantes, os membros do AA não buscam julgar ou exigir que o alcoólatra busque tratamento, mas sim despertar a motivação para que ele se trate. A participação ocorre no anonimato.
“Dentro do grupo de AA jamais é dito que você não pode ou não deve beber. Não podemos e não devemos fazer isso. Nós temos que tratar de despertar a sua vontade em estacionar o alcoolismo”, comenta um participante.
“Se uma pessoa vir aqui na sala de AA e ela queira que ninguém saiba que ela esteve aqui, nós jamais iremos abrir o anonimato dela. A única pessoa que pode abrir o anonimato é ela mesmo”, afirma outro membro do grupo.
APOIO DA FAMÍLIA
Nem todos os participantes do grupo de Alcoólicos Anônimos necessariamente têm problemas com o álcool. Por vezes, as reuniões recebem amigos e familiares de alcoólatras, que buscam orientações para ajudar seus entes queridos.
“Nós temos pessoas que vêm aqui que não têm problema com o álcool. Eles vêm para assistir a reunião e aprender algo, até para saber como lidar com um familiar ou amigo”.
RECAÍDAS
Mesmo com o auxílio, as recaídas muitas vezes acontecem. Nesse momento, os membros do AA lembram que o alcoólatra não deve ter vergonha em pedir ajuda novamente.
“Muitos casos já aconteceram de companheiros que recaíram e voltaram para a sala do AA para se manter em sobriedade”, relata um membro do grupo.
“O importante é que a porta esteja sempre aberta dentro do horário da reunião. Às vezes uma pessoa pode ter tido uma recaída e de repente ela sente aquela vontade de buscar o grupo. Se passou aqui na frente, pode entrar e abrir o jogo”, afirma outro participante.
RECUPERAÇÃO
Após a recuperação, o trabalho para manter o alcoolismo estacionado é contínuo. Os participantes, no entanto, não veem o grupo apenas como uma forma de controlar a dependência, mas também de se tornarem pessoas mais conscientes sobre os seus atos.
“Em Alcoólicos Anônimos, a gente aprende a enfrentar a gente mesmo. Olha no espelho da vida e tem coragem de entrar dentro da gente e verificar as partes boas, partes ruins e limitações que a gente tem”, comenta.
O grupo Paz e Amor de Alcoólicos Anônimos funciona na Rua Frei Menandro Kamps, ao lado do pavilhão da Igreja Matriz. As reuniões ocorrem todas as quintas-feiras, das 20h às 22h. O telefone para contato é 99737- 2139
* Os entrevistados nesta matéria não foram identificados devido à política de anonimato do grupo.