
A proposta do governo federal de reduzir tarifas de importação para alimentos com o objetivo de conter a inflação foi fortemente criticada pela Bancada Ruralista. O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, classificou a medida como “demagógica” e defendeu alternativas como a redução de gastos públicos e maior estímulo à produção nacional. Segundo Lupion, a proposta ignora os problemas macroeconômicos, como câmbio descontrolado e alta de juros, que impactam diretamente o setor agrícola e a economia do país.
A crítica foi reforçada por outros integrantes da bancada, incluindo o vice-presidente na Câmara, Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). Ele afirmou que o agronegócio brasileiro não enfrenta desequilíbrios significativos e defendeu medidas para baratear custos no setor, como crédito acessível e melhorias logísticas. Essa não é a primeira vez que a bancada se opõe à importação como solução: em 2024, já havia criticado a tentativa de importação de arroz após enchentes no Rio Grande do Sul, alegando ausência de problemas de abastecimento.
Por outro lado, o governo argumenta que a redução de tarifas pode ajudar a equilibrar os preços no mercado interno em momentos em que produtos no mercado externo são mais acessíveis. A medida, segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, busca evitar o tabelamento e reduzir o impacto da inflação nos alimentos. No entanto, a Bancada Ruralista insiste que políticas focadas no estímulo à produção nacional e no controle dos custos agrícolas seriam mais eficientes para garantir alimentos acessíveis aos brasileiros.