
O preço da gasolina e do diesel no Brasil é formado por diversos fatores, incluindo tributos e margens de distribuição. Segundo levantamento da Petrobras, o preço médio da gasolina ao consumidor final está em R$ 6,37 por litro, sendo que a maior parte desse valor corresponde à parcela da estatal (34,7%) e ao ICMS cobrado pelos estados (23,1%). O imposto estadual, que sofreu reajuste em fevereiro, representa R$ 1,47 por litro, enquanto os tributos federais somam R$ 0,69. Além disso, a distribuição e revenda respondem por 17,6% do valor total da gasolina, e o restante é referente ao custo do etanol anidro, que compõe a mistura obrigatória do combustível.
Em evento da Petrobras nesta segunda-feira (17), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a população não tem acesso a informações detalhadas sobre a composição dos preços dos combustíveis e culpou o ICMS e as empresas do setor pelos valores elevados. Lula sugeriu que a Petrobras busque alternativas para reduzir os preços, como a venda direta de combustível ao consumidor. Segundo ele, os brasileiros acabam sendo “assaltados” pelos intermediários da cadeia de distribuição, o que encarece o produto final.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro) rebateu as declarações do presidente, afirmando que os postos revendedores são o último elo da cadeia de combustíveis e não têm controle sobre os reajustes. Conforme o presidente do Sincopetro, José Alberto Paiva Gouveia, o governo federal tenta transferir a responsabilidade pelos aumentos de preços. O sindicato reforçou que os postos são obrigados por lei a comprar combustíveis das distribuidoras, que, por sua vez, repassam variações de custos, impostos e margens ao consumidor final.