Quando um produto chega à sua casa, ele já passou pelas mãos de muitos profissionais e percorreu centenas de quilômetros — geralmente em cima de um caminhão. Esse percurso tem um preço que, muitas vezes, está oculto sob o rótulo de “frete grátis”, mas que, na prática, representa de 15% a 50% do valor final do item.
O assunto foi debatido em uma live da Federação das Empresas de Transporte de Carga do Estado de Santa Catarina (Fetrancesc), que detalhou os impactos do transporte rodoviário no custo dos produtos.
Cálculo envolve muito mais do que combustível
Segundo Geovani Serafim, coordenador do Instituto Mercadológico da COMJOVEM nacional, o cálculo do frete é complexo e envolve vários fatores, como tipo da carga, distância, pedágios, seguro, risco de roubo, além de custos operacionais como combustível, que ainda é o item mais caro.
“Hoje, dependendo da mercadoria, é necessário contar com escolta armada, baús eletrônicos, imobilizadores e até iscas para evitar roubos”, exemplifica. A cobrança de taxas específicas, como TSO, gris, estadia e entrega, também varia conforme o tipo de carga transportada.
Frete justo garante segurança e qualidade
Para a vice-coordenadora da COMJOVEM, Valéria Melnik, o valor correto do frete é essencial para manter a qualidade do serviço, garantir a renovação da frota e promover condições de trabalho seguras para motoristas. “Se o transporte for bom e rápido, ele não pode ser barato. E frete barato, no fim, sai caro para todos”, afirma.
Ela alerta ainda que algumas empresas, na tentativa de atrair clientes, deixam de cobrar itens essenciais, o que provoca concorrência desleal e compromete toda a cadeia logística.