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Da imigração às novas gerações: a presença ucraniana em SC

Comunidade celebra o Dia da Comunidade Ucraniana em meio a memórias da imigração e ao desejo de paz.

A chegada dos ucranianos ao Brasil remonta ao fim do século XIX. Segundo Sônia Luzia Arendartchuk, presidente da Associação Ucraniana Catarinense, as dez primeiras famílias desembarcaram no Rio de Janeiro em 1891. Poucos anos depois, em 1895, novos grupos se instalaram no Paraná e em Santa Catarina.

“Na época, a Europa vivia um período de superpopulação e êxodo rural. O Brasil precisava de gente para trabalhar na agricultura e nas ferrovias. Os ucranianos enxergaram aqui uma oportunidade de recomeço”, explicou Sônia.

Da roça às ferrovias

A imigração não foi fácil. Os recém-chegados enfrentaram barreiras como a língua desconhecida e condições de trabalho mais duras do que as prometidas. Primeiro atuaram na agricultura, mas logo também estiveram presentes em setores como a ferrovia e a indústria.

Mesmo com as dificuldades, trouxeram o que consideravam essencial: religiosidade, cultura e gastronomia. Igrejas, cantos típicos, bordados e a tradicional pêssanka (ovos pintados à mão) são alguns dos elementos preservados até hoje no Planalto Norte de Santa Catarina.

Cultura que resiste

Identidade ucraniana é marcada pela gastronomia, religião e artesanato (Foto: Acervo pessoal/Sônia Luzia).

Estima-se que haja no Brasil mais de 600 mil descendentes de ucranianos, embora não haja números oficiais. Cidades como Prudentópolis (PR) chegaram a ter quase 90% da população formada por descendentes.

Em Santa Catarina, a presença é marcante no Planalto Norte. O ensino da língua ucraniana voltou a ganhar força por meio de parcerias entre associações culturais, universidades e até prefeituras. “Queremos resgatar o orgulho de ser ucraniano. É um trabalho de valorização da língua, da dança, da música e da fé”, destacou Sônia.

Tradição religiosa

A Igreja Menino Jesus é o símbolo maior da colonização ucraniana em Canoinhas (Foto: Gabriel de Bem).

As igrejas ucranianas no estado seguem o rito bizantino, conhecido pela missa de São João Crisóstomo. As celebrações, muitas vezes em ucraniano, encantam fiéis de fora da comunidade pela solenidade e tradição.

“É um rito antigo, que não muda. Algumas partes rezamos em português para acolher quem não fala a língua, mas a maioria é preservada no ucraniano. Isso é parte da nossa identidade”, explicou a presidente.

Entre a memória e a guerra

Se por um lado a comunidade celebra suas raízes, por outro acompanha com aflição os desdobramentos da guerra na Ucrânia. Para Sônia, o sentimento é de angústia:

“Muitos descendentes aqui no Brasil vivem adoecidos de tanta tristeza ao ver monumentos, igrejas e cidades sendo destruídos. Seguimos com esperança de que a paz seja alcançada.”

Neste 24 de agosto, Dia da Comunidade Ucraniana, a mensagem é uma: orgulho pelas tradições preservadas no Brasil. “Cada bordado, cada canto, cada pêssanka pintada é uma forma de manter viva a Ucrânia dentro de nós. É também uma maneira de mostrar que a cultura resiste”, concluiu Sônia.

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