As indústrias catarinenses de arroz vivem um momento de forte preocupação diante da crise no setor orizícola, que se agravou ao longo de 2025.
Apesar das medidas anunciadas recentemente pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) — entre elas, a compra de 137 mil toneladas de arroz para tentar equilibrar o mercado —, representantes do Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC) afirmam que as ações do Governo Federal são insuficientes e não atacam o problema estrutural.
Segundo o presidente da entidade, Walmir Rampinelli, muitas empresas já planejam férias coletivas e paralisações no fim do ano para conter os impactos da crise.
Preços abaixo do custo e estoques elevados
De acordo com o SindArroz-SC, a queda nas cotações começou ainda no fim de 2024, com a comercialização interna em ritmo lento. Em 2025, o preço da saca despencou e chegou a R$ 55 em Santa Catarina, bem abaixo do custo de produção, estimado em R$ 75.
O vice-presidente do sindicato, Diogénes Mendes, alerta que as compras internas da Conab podem até conter a queda momentaneamente, mas mantêm os estoques altos, dificultando a recuperação de preços. “O governo deveria focar em incentivos à exportação para abrir espaço no mercado interno e equilibrar a oferta do cereal”, afirma.
Exportação é vista como solução
Para o setor, o escoamento do produto excedente para o comércio exterior é a alternativa mais eficaz para reajustar o mercado e garantir renda aos produtores. Conforme o SindArroz-SC, sem o escoamento do excedente, o setor continuará vendendo abaixo do custo, o que compromete toda a cadeia produtiva e ameaça milhares de empregos.