Os homens ainda procuram menos atendimento médico, especialmente quando o assunto é saúde mental, e geralmente buscam ajuda apenas quando os sintomas já estão mais graves. Segundo o psiquiatra Dr. Alexandre Balan, fatores culturais e o medo do julgamento explicam esse comportamento.
A chamada masculinidade tradicional, que valoriza força e autossuficiência, dificulta o reconhecimento da vulnerabilidade emocional. O estigma faz com que muitos associem o tratamento psicológico a fraqueza ou instabilidade, o que atrasa o início do cuidado.
Sinais que exigem atenção
Outro desafio é a dificuldade em identificar os primeiros sinais de sofrimento emocional. De acordo com o especialista, o principal alerta é a disfunção na rotina, quando mudanças no comportamento afetam o dia a dia por um período prolongado.
No caso da depressão, sintomas como dificuldade para dormir, queda no rendimento no trabalho e perda de interesse por atividades antes prazerosas, que persistem por mais de duas semanas, já indicam a necessidade de ajuda profissional.
Já a ansiedade, comum entre homens, muitas vezes é confundida com estresse passageiro, mas pode se tornar um transtorno quando os sintomas duram meses, com preocupação excessiva, tensão constante e sinais físicos.
Apoio e mudança de visão
Para o psiquiatra, o apoio da família e dos amigos é fundamental, assim como a mudança no discurso sobre saúde mental. Ele reforça que a pessoa não é a doença, mas alguém que está doente e pode se tratar e se recuperar. O tratamento é possível e necessário, e falar sobre o tema sem julgamento ajuda a quebrar barreiras.
Reduzir o estigma e incentivar a busca por ajuda são passos essenciais para melhorar a qualidade de vida e prevenir agravamentos nos quadros de saúde mental masculina.