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Estudo recente aponta impacto da agropecuária no carbono do solo brasileiro

Pesquisa revela impacto da agropecuária, indica caminhos para recuperação e reforça papel de práticas sustentáveis no campo

Um estudo inédito revelou que a conversão de vegetação nativa em áreas agropecuárias nos seis biomas brasileiros provocou um déficit de 1,4 bilhão de toneladas de carbono no solo. Esse volume equivale à emissão de cerca de 5,2 bilhões de toneladas de CO₂, considerando a camada de até 30 centímetros de profundidade. A pesquisa, baseada na análise de mais de 370 estudos e 4.200 amostras de solo, é a primeira a estimar o estoque de carbono antes da interferência humana e mensurar o impacto direto dessa transformação. Os dados foram publicados na revista científica Nature Communications e envolvem instituições como USP, Embrapa e outras universidades brasileiras.

Caminhos para recuperar o carbono

Além de dimensionar o problema, o estudo aponta soluções. Práticas agrícolas mais sustentáveis, como integração lavoura-pecuária e plantio direto, mostraram menor perda de carbono em comparação aos modelos tradicionais. Enquanto a monocultura (sistema agrícola em que se cultiva apenas um tipo de planta em uma mesma área por longos períodos, muitas vezes de forma contínua) pode reduzir em média 22% da matéria orgânica do solo, sistemas integrados apresentam perdas bem menores, de cerca de 8,6%. O levantamento também destaca que fatores como clima influenciam diretamente: regiões mais frias e úmidas, como Mata Atlântica e Pampa, possuem maior estoque natural de carbono do que áreas tropicais.

Potencial econômico e ambiental

Os pesquisadores indicam que cerca de 72% do potencial de recarbonização do solo brasileiro está concentrado nos biomas Cerrado e Mata Atlântica. A recuperação desse carbono pode ajudar o Brasil a cumprir metas climáticas internacionais e ainda impulsionar o mercado de carbono, atraindo investimentos. Segundo os especialistas, entender o tamanho desse “estoque perdido” permite não só planejar políticas públicas mais eficientes, mas também transformar a recuperação do solo em oportunidade econômica. O estudo reforça que investir em práticas sustentáveis no campo é essencial para reduzir emissões e garantir a produtividade a longo prazo.

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