A produção de uma silagem de excelência exige atenção redobrada do produtor para além das espigas. Segundo o zootecnista Edson Poppi, embora o grão de milho seja o principal indicador de energia, é a planta inteira que determina o sucesso da conservação. Em anos marcados por instabilidades climáticas, como os efeitos do El Niño, o milho tende a “morrer” de baixo para cima para tentar salvar a espiga. Isso faz com que as folhas e o caule sequem rapidamente, enquanto o grão ainda pode estar mole, enganando o produtor sobre o momento ideal da colheita.
Quando o produtor foca apenas no amido do grão e ignora o amarelamento da planta, o material colhido acaba apresentando um excesso de matéria seca. Esse desequilíbrio compromete a compactação correta dentro do silo, facilitando a entrada de oxigênio e a proliferação de fungos e micotoxinas. Sem a umidade correta da planta toda, o resultado final transforma em um alimento de baixo valor nutricional, o que prejudica diretamente o desempenho do rebanho durante o inverno.
Momento ideal da colheita
Para garantir uma reserva de alimento de alta qualidade, a recomendação é colher o milho quando a planta inteira apresentar uma umidade entre 30% e 35% de matéria seca. O especialista reforça que, neste mês de abril, o monitoramento deve ser constante e o produtor não deve se prender estritamente ao calendário. Se o milho “sentiu” a seca, é preciso agir com rapidez para garantir o estoque. Como resume Poppi, o grão é a energia, mas o vigor do caule e das folhas é o que garante a realidade da conservação no silo.