Um estudo desenvolvido pela Epagri de Canoinhas, no Planalto Norte de Santa Catarina, conquistou destaque na revista científica internacional Forest Ecology and Management. A pesquisa, realizada pela engenheira-agrônoma Ana Lúcia Hanisch, analisou o potencial das caívas — áreas de pastoreio sob árvores — para o aumento da produção pecuária sustentável. O trabalho é um desdobramento de uma pesquisa de pós-doutorado concluída em 2025 na Universidade de Lisboa, contando com a colaboração de instituições de ensino do Brasil e de Portugal, além de famílias agricultoras da região que preservam essas áreas há décadas.

Os resultados apontam que as caívas possuem uma capacidade significativa de sequestro de carbono. No estrato arbóreo, a média registrada foi de 63 toneladas de carbono por hectare, valor próximo às 68 toneladas encontradas em áreas de florestas preservadas. Quando somados os estoques de carbono no solo, nas raízes e na pastagem, o potencial ambiental da área é ampliado. Esses dados indicam que as práticas agrícolas tradicionais podem se transformar em uma nova fonte de renda para as famílias do campo, por meio do mercado de venda de crédito de carbono.
O estudo reforça a relevância de valorizar os conhecimentos centenários dos agricultores na busca por modelos de pecuária mais sustentáveis. Ao validar cientificamente o manejo das caívas, a pesquisa oferece alternativas para conciliar a produção agropecuária com a conservação ambiental. O projeto, que se estendeu ao longo de quase 20 anos, contou com o suporte do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da própria Epagri.