Pesquisadores identificaram em uma bactéria comum do solo, a Streptomyces, um grande conjunto de genes capaz de produzir quatro famílias de antibióticos e uma proteína que atuam de forma conjunta no combate a bactérias resistentes. O estudo, publicado na revista científica Nature, aponta que a descoberta representa um avanço importante no desenvolvimento de novos medicamentos para enfrentar as chamadas superbactérias, um dos maiores desafios da medicina atual. Segundo estimativas, infecções causadas por bactérias multirresistentes podem provocar cerca de 39 milhões de mortes entre 2025 e 2050.
De acordo com os pesquisadores, os compostos identificados atuam em diferentes etapas da produção da biotina (vitamina B7), substância essencial para a sobrevivência das bactérias. Como atacam vários pontos da mesma via metabólica ao mesmo tempo, eles dificultam que os microrganismos desenvolvam resistência aos antibióticos. A descoberta foi resultado de 10 anos de pesquisas, e, segundo o bioquímico Eric Brown, da Universidade McMaster, no Canadá, é a primeira vez que cientistas encontram quatro grupos de genes biossintéticos reunidos em um único local do DNA produzindo moléculas com a mesma função.
Testes apresentaram resultados promissores
Para comprovar a eficácia da descoberta, os cientistas inseriram o conjunto de genes em uma cepa de laboratório da Streptomyces e realizaram testes em camundongos infectados pela superbactéria Escherichia coli. Os antibióticos (estravidina e α-Me-KAPA) conseguiram reduzir significativamente a presença das bactérias nos órgãos e no sangue dos animais, apresentando resultados ainda melhores quando utilizados em combinação. Os pesquisadores acreditam que a descoberta abre novas perspectivas para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes contra infecções resistentes aos antibióticos disponíveis atualmente.