A pecuária de precisão vem ganhando espaço no campo com o uso de tecnologias capazes de identificar quais bovinos conseguem ganhar mais peso consumindo menos alimento. O sistema utiliza um cocho equipado com balança e antena eletrônica para registrar, em tempo real, a quantidade de alimento ingerida por cada animal, identificado por um chip na orelha. As informações permitem aos produtores selecionar animais mais eficientes, reduzindo custos com alimentação e tornando a produção de carne mais sustentável.
Durante cerca de 50 dias, o equipamento acompanha todas as visitas dos animais ao cocho e calcula o consumo médio individual. A principal informação obtida é o Consumo Alimentar Residual (CAR), indicador que mostra quais bovinos apresentam melhor desempenho produtivo utilizando menos alimento do que o esperado. Além da eficiência alimentar, pesquisadores também avaliam características como fertilidade, qualidade da carcaça e potencial genético, fatores importantes para programas de melhoramento e para a seleção de touros destinados à reprodução.
Segundo os pesquisadores, animais mais eficientes tendem a desperdiçar menos energia, aproveitar melhor os nutrientes e direcionar mais recursos para o desenvolvimento muscular, em vez do acúmulo de gordura. Essa característica é cada vez mais importante em sistemas intensivos de produção, onde a alimentação representa um dos principais custos da atividade. Estudos também indicam que esses bovinos podem ser mais resistentes ao calor e contribuir para a redução da pegada de carbono da pecuária, já que produzem mais carne utilizando menos recursos. Para os especialistas, investir na identificação e seleção desses animais é um dos caminhos para tornar a pecuária mais competitiva e sustentável.