O Brasil enfrenta um cenário preocupante em relação à saúde mental dos jovens: cerca de 10% dos adolescentes sofrem com algum transtorno alimentar, como anorexia, bulimia ou compulsão. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o índice geral de brasileiros com essas condições é de 4,7%, quase o dobro da média mundial. Especialistas explicam que a anorexia envolve restrição extrema de comida e medo de engordar, enquanto a bulimia é marcada por episódios de descontrole ao comer, seguidos de métodos para “compensar”, como o uso de laxantes ou vômitos provocados. Já o transtorno de compulsão ocorre quando a pessoa come grandes quantidades sem controle, gerando profunda culpa e baixa autoestima.
O impacto das redes sociais e do ambiente
A construção da autoimagem na adolescência é influenciada por uma mistura de fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Atualmente, as redes sociais exercem um papel de destaque nesse processo, muitas vezes através dos filtros que distorcem a realidade. Segundo psicólogas e nutricionistas, esse “bombardeio” visual pode levar o jovem a não se reconhecer no espelho, gerando ansiedade e isolamento social. Além da pressão cultural, dinâmicas familiares e traumas também podem servir de gatilho para que a comida passe a ser vista como uma vilã ou um refúgio emocional.
Como identificar e buscar ajuda
Pais e familiares devem estar atentos a mudanças bruscas no comportamento, como o jovem passar a evitar as refeições em família ou usar roupas largas para esconder o corpo. Alterações de humor, irritação e o afastamento de amigos também são sinais de alerta. O caminho para a recuperação passa por um diálogo aberto e sem julgamentos, evitando críticas à aparência do adolescente. Ao notar sinais persistentes, é fundamental buscar apoio profissional.