A elevação do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), anunciada pelo governo no último dia 22 de maio, surpreendeu o mercado e acendeu o alerta entre empresários e economistas. A nova alíquota, que passou de 0,38% para 0,95% fixo mais uma diária de 0,0082%, afeta especialmente operações de crédito empresarial, mas também inclui transações com previdência privada e câmbio. O impacto direto será o encarecimento do crédito, o que, segundo analistas, pode pressionar ainda mais a inflação e dificultar o acesso a financiamentos, principalmente para pequenas e médias empresas.
A medida desagradou o setor produtivo, que já enfrenta taxas de juros elevadas – a Selic está em 14,75% ao ano, maior patamar em quase duas décadas. De acordo com a Febraban, o custo final de algumas operações pode aumentar entre 14,5% e 40%. A Fiesp criticou duramente o decreto, afirmando que ele penaliza indústrias e desestimula investimentos. Já especialistas como Leonardo Roesler consideram a decisão “insensível”, por atingir um cenário econômico já fragilizado por endividamento das famílias e baixo consumo.
O CEO da Multiplike, Volnei Eyng, destaca que o problema vai além da alíquota: “Falta de diálogo e mudanças repentinas geram incerteza, o que abala a confiança de investidores e complica o planejamento das empresas”. Para ele, a previsibilidade econômica é fundamental, e o aumento do IOF trouxe justamente o contrário.