Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), o país deve alcançar uma produção recorde de 177,85 milhões de toneladas de soja, um aumento de 3,7% em relação ao ciclo anterior. O volume de exportação também deve atingir o patamar inédito de 113,6 milhões de toneladas, impulsionado pela ampliação das áreas de plantio e por condições climáticas favoráveis que garantiram uma safra robusta em diversas regiões brasileiras.
Impacto dos preços globais
Apesar do sucesso produtivo, o cenário financeiro apresenta desafios. Devido a colheitas expressivas em outros países, a oferta global de soja aumentou, o que pressionou os preços internacionais para baixo. Consequentemente, a Abiove reduziu a previsão de receita com as exportações do complexo soja para US$ 51,18 bilhões em 2026. A estimativa do preço médio por tonelada também foi ajustada para US$ 370, refletindo a nova realidade de estoques mais elevados no mercado mundial e a maior concorrência entre os produtores.
Em contrapartida à queda nos preços do grão, o setor aposta no fortalecimento da indústria interna. A previsão de processamento de soja no Brasil foi elevada para 62,2 milhões de toneladas, um novo recorde que reflete a capacidade de converter a matéria-prima em produtos de maior valor agregado. A produção de farelo deve atingir 47,9 milhões de toneladas, enquanto a de óleo de soja deve chegar a 12,5 milhões. Para especialistas, essa estratégia de industrialização é fundamental para fortalecer a matriz energética e garantir o suprimento alimentar brasileiro, demonstrando a resiliência do setor diante das oscilações do mercado financeiro global.