Canoinhas inicia um novo capítulo na educação com a implantação da primeira escola Cívico-Militar do município, que começará a funcionar no dia 19 de fevereiro, na Escola de Educação Básica Irmã Maria Felícitas. O tema foi detalhado durante entrevista ao vivo no programa Clube Comunidade, com a participação da coordenadora regional de Educação, Rosecler Erzinger, da diretora da escola, Rosicler Herbst, e do gestor militar Ethel Jacomel responsável pelo projeto. A proposta busca fortalecer valores como disciplina, civismo, ética e respeito, sem interferir no trabalho pedagógico realizado pelos professores.
Durante a entrevista, foi explicado que o modelo Cívico-Militar é diferente de uma escola militar tradicional. Enquanto o ensino pedagógico segue sob responsabilidade exclusiva da equipe escolar, os militares atuam como apoio na organização da rotina, disciplina, orientação de valores e segurança. “Policiais e bombeiros da reserva estarão presentes no ambiente escolar, fardados e equipados, mas não atuarão como professores”, destacou Jacomel. A sala de aula permanece sob comando dos educadores, considerada ‘sagrada’ dentro do projeto.

Os militares participam do acolhimento dos alunos, dos intervalos e de atividades complementares. Em casos de ausência de professores, conduzem ações educativas, palestras e orientações sobre temas como prevenção à violência, combate ao bullying, liderança, cidadania e patriotismo.
Escolha da escola e envolvimento da comunidade
A Coordenadora explicou que a escolha da Escola Irmã Maria Felicitas se deu por atender alunos desde o 1º ano do Ensino Fundamental até o Ensino Médio, abrangendo diferentes faixas etárias e recebendo estudantes do centro, bairros e interior. Segundo a diretora da escola, a implantação do modelo foi amplamente discutida com a comunidade escolar. Uma consulta apontou aprovação de 89,7% dos pais, além de forte adesão dos professores, que entenderam o projeto como um reforço ao trabalho pedagógico já desenvolvido.

Rosicler destacou que valores, virtudes e temas transversais já fazem parte da rotina pedagógica, e que o novo modelo vem para “somar esforços, garantindo mais foco em sala de aula e maior aproximação entre escola e famílias”. A presença dos militares também é vista como um fator que aumenta a sensação de segurança no ambiente escolar.
Estrutura, uniformes e vagas
A escola passou por melhorias estruturais, incluindo readequação elétrica, instalação de ar-condicionado em todas as salas, melhorias no mobiliário e implantação de câmeras de segurança. Os alunos utilizarão um uniforme específico da rede Cívico-Militar, que será fornecido pelo Estado, sem obrigatoriedade de substituir imediatamente o uniforme tradicional da escola.

Em relação às matrículas, ainda há vagas disponíveis em algumas séries, principalmente no período diurno, que funcionará integralmente no modelo Cívico-Militar. O ensino noturno seguirá no formato tradicional, com vagas abertas para o primeiro ano. Os interessados devem procurar diretamente a secretaria da escola para verificar a disponibilidade.
Projeto pode se expandir na região
Atualmente, Santa Catarina conta com 26 escolas Cívico-Militares, sendo oito com início neste mês de fevereiro. O Governo do Estado prevê a ampliação do programa, com a meta de chegar a 100 escolas até 2026. Durante a entrevista, foi destacado que o projeto de Canoinhas servirá como referência, respeitando as particularidades locais, e que há interesse de outros municípios da região em adotar o modelo.