A oposição no Congresso conseguiu as 171 assinaturas necessárias para protocolar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fraudes no INSS. O pedido foi apresentado pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e mira sindicatos suspeitos de aplicar descontos irregulares em aposentadorias e pensões.
A estimativa é que o prejuízo aos cofres públicos ultrapasse R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Uma coletiva sobre a CPI está prevista para esta quarta-feira (30), mas até o momento os parlamentares não divulgaram novos detalhes.
Descontos irregulares e exonerações
A operação que motivou a CPI foi conduzida pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), e revelou a atuação de 11 entidades sindicais que teriam utilizado assinaturas falsificadas para realizar cobranças indevidas a beneficiários do INSS.
O caso resultou na exoneração de Alessandro Stefanutto, então presidente do órgão, e no afastamento de servidores suspeitos de envolvimento nas fraudes. Como reação, o INSS anunciou a suspensão imediata dos descontos associativos, medida publicada em edição extra do Diário Oficial da União.
Ministro Lupi se diz surpreso
Durante audiência na Câmara, o ministro da Previdência, Carlos Lupi, afirmou ter sido surpreendido com a dimensão da fraude. Segundo ele, embora houvesse reclamações esporádicas, não se imaginava a existência de uma “quadrilha organizada” dentro da estrutura previdenciária. Lupi defendeu Stefanutto, dizendo que a nomeação foi uma escolha pessoal e baseada em critérios técnicos.
Enquanto isso, a auditoria interna do INSS deve apresentar nos próximos dias um diagnóstico sobre os acordos firmados com entidades, que podem ser revogados de forma definitiva caso sejam comprovadas irregularidades.
Fonte: CNN.