A apicultura e a meliponicultura em Santa Catarina avançaram nos últimos anos com apoio de capacitações, crédito rural e pesquisas técnicas. No entanto, problemas antigos seguem limitando o crescimento da atividade, como o uso inadequado de defensivos agrícolas, a escassez de áreas para instalação de apiários e a baixa organização dos produtores.
Segundo o responsável técnico regional da área na Epagri, Vilmar Milani, esses fatores ainda provocam prejuízos significativos e impedem que o potencial produtivo do estado seja plenamente explorado.
Entre as maiores ameaças às colmeias estão os defensivos agrícolas, especialmente os inseticidas, que podem causar desde a morte imediata das abelhas até a contaminação de toda a colmeia. Um dos produtos mais associados à mortalidade é o fipronil, cuja pulverização é proibida em Santa Catarina, mas ainda aparece em casos pontuais de uso irregular.
Para reduzir os impactos, a Epagri orienta agricultores a buscar assistência técnica, respeitar dosagens e horários adequados e priorizar a aplicação no fim do dia, quando as abelhas não estão em atividade. A instituição também reforça que a presença dos polinizadores beneficia diretamente a produtividade das lavouras.
Fomento, espaço e organização dos produtores
Além da assistência técnica, programas de fomento da Secretaria de Estado da Agricultura, operados pela Epagri, oferecem crédito subsidiado, incentivo à melhoria genética dos apiários e pagamento pelo serviço de polinização, por meio do Poliniza Santa Catarina. Mesmo assim, a falta de espaço para novos apiários e a distância dos grandes mercados consumidores encarecem a produção.
Para Milani, a organização em associações é fundamental para fortalecer o setor, melhorar a comercialização e ampliar o poder de negociação. A alta procura por cursos e capacitações mostra que o interesse dos produtores existe, mas ainda há desafios para transformar conhecimento em crescimento sustentável no campo.