
Santa Catarina enfrenta um crescente déficit de milho para as agroindústrias, estimado em cerca de seis milhões de toneladas neste ano. Com a safra 2023-2024 registrando uma queda de produção de 21,8%, o estado produziu apenas 2,226 milhões de toneladas de milho, muito abaixo da demanda que ultrapassa os 8 milhões de toneladas.
O presidente da Câmara Setorial do Milho, do Ministério da Agricultura, Enori Barbieri, destaca os desafios logísticos. “O grande problema que eu vejo é a logística do milho. Nossa proteína animal precisa competir internacionalmente com preços menores que os de outros países. A logística ineficiente encarece o produto, tornando-o menos competitivo no mercado global”, afirmou.
A diminuição da área de plantio de milho é outro fator preocupante. Atualmente, o milho é cultivado em apenas 322 mil hectares no estado, 150 mil hectares a menos do que há uma década. Arno Pandolfo, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina (Fecoagro), prevê que essa tendência de redução deve continuar devido à baixa rentabilidade da cultura.
“Uma lavoura de milho rende apenas 1,240 sacas por hectare, enquanto a soja rende 40 sacas. Isso está levando os produtores a optarem pelo cultivo de soja, e uma prova disso é a queda de mais de 25% no programa de troca-troca do governo Terra Boa em comparação com o ano passado”, explicou.