Mesmo com a chegada do outono, as temperaturas elevadas em Santa Catarina mantêm o alerta para a dengue. Em Canoinhas, o cenário é considerado controlado e de baixo risco, apesar de o município estar entre os 186 de Santa Catarina classificados como infestados pelo mosquito.
De acordo com a Vigilância Epidemiológica municipal, foram identificados 23 focos do Aedes aegypti, além de três casos em investigação. Outros 11 casos suspeitos já foram descartados após exames laboratoriais, e nenhum caso foi confirmado até o momento.

Um diferencial do município é a existência de um setor de entomologia — presente apenas em Canoinhas, Porto União e São Bento do Sul na região — que permite identificar com precisão as larvas coletadas.
Monitoramento constante e trabalho nas ruas
O trabalho de combate ao mosquito é realizado diariamente por equipes da Vigilância Epidemiológica, com ações que incluem visitas domiciliares, instalação de armadilhas e monitoramento em pontos estratégicos.
A bióloga Cristina Grosskopf explica que a dengue é hoje a principal preocupação do setor. “A gente trabalha com ações educativas e monitoramento constante. Como a dengue está muito disseminada, conseguimos atuar em toda a área urbana do município”, afirmou.

Segundo ela, nem todas as larvas encontradas são do mosquito transmissor. “Essas amostras vão para o laboratório. Só depois da identificação é que confirmamos se é o Aedes aegypti. Quando é, retornamos ao local para fazer o bloqueio e orientar os moradores”, explicou.
Realidade nas casas preocupa agentes
Durante acompanhamento da equipe de reportagem com agentes de endemias, foi possível observar que a presença de água parada ainda é comum nas residências. Em praticamente todas as casas visitadas, havia recipientes com larvas.
O agente de endemias Cleverson Marinho destacou que esse é um comportamento frequente. “Muitas vezes a pessoa guarda água para usar depois e esquece. Em uma semana, dez dias, o mosquito já pode estar voando”, alertou.

Ele também chama atenção para a resistência dos ovos do mosquito. “Os ovos podem ficar até um ano e meio nas bordas dos recipientes. Quando encontram água, se desenvolvem rapidamente”.
Moradores reconhecem importância da prevenção
A presença dos agentes tem sido bem recebida pela população, que reconhece a importância da orientação. O pedreiro Adir Gonçalves destacou o impacto da visita. “Foi muito bom receber orientação. A gente nem sempre sabe dessas coisas. Agora é cuidar e não deixar água parada”, disse.
A dona de casa Roseli Aparecida também reforçou a necessidade de prevenção. “A gente tem que cuidar, porque a dengue mata. Não pode deixar água acumulada”.
Já o casal Bruno e Cristiane Padilha, chamou atenção para outro ponto. “Às vezes a gente se automedica achando que é gripe. Mas pode ser dengue. Então é importante procurar atendimento”, afirmaram.
Automedicação é um dos principais riscos
A coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Josiane Galeski, alerta que a automedicação pode agravar casos suspeitos de dengue. “Os sintomas são parecidos com gripe, como febre e dor no corpo. Mas o ideal é procurar uma unidade de saúde para avaliação. A automedicação pode trazer riscos graves”, explicou. Segundo ela, em casos suspeitos, o paciente já recebe encaminhamento para exames laboratoriais diretamente na unidade de saúde.
Vacinação disponível no município

Como parte das ações de prevenção, a Secretaria de Saúde disponibiliza vacina contra a dengue para crianças de 10 a 14 anos, com duas doses em um intervalo de 30 dias. Profissionais da saúde também estão sendo imunizados com dose única.
A orientação do Ministério da Saúde é iniciar a vacinação por esses grupos e, posteriormente, ampliar para o restante da população. As doses estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) com sala de vacinação.
Bairros com focos identificados
Os focos do mosquito foram registrados nos bairros:
- Campo d’Água Verde
- Alto das Palmeiras
- Sossego
- Centro
- Tricolin
A identificação ocorre por meio de armadilhas e monitoramento realizado pelas equipes.
Prevenção depende da população
A Secretaria de Saúde reforça que o combate ao mosquito depende principalmente da população. Medidas simples fazem a diferença, como:
- eliminar água parada;
- manter caixas d’água fechadas;
- limpar calhas e recipientes;
- evitar acúmulo de lixo nos quintais.
Mesmo com o cenário atual considerado estável, as autoridades alertam que a dengue pode avançar rapidamente se não houver colaboração da comunidade.