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Ervas daninhas? PANCs ganham espaço na cozinha com sabor e alto teor de nutrientes

Conhecidas como Plantas Alimentícias Não Convencionais, essas espécies crescem de forma espontânea em quintais e resgatam a cultura regional com baixo impacto ambiental

O que muitas pessoas consideram apenas uma erva daninha crescendo no quintal pode, na verdade, ser um ingrediente versátil e altamente nutritivo. As PANCs (Plantas Alimentícias Não Convencionais) estão ganhando cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros e transformando a rotina na cozinha. Por não possuírem uma cadeia produtiva estabelecida, elas não são encontradas facilmente em supermercados. De acordo com o Ministério da Agricultura, essas plantas crescem espontaneamente em calçadas e terrenos baldios, mas guardam um “segredo”: além de serem ricas em vitaminas e proteínas, possuem baixo impacto ambiental, pois são extremamente resistentes, exigem cultivo simples e dispensam o uso de agrotóxicos, funcionando também como uma excelente fonte de renda para a agricultura familiar.

Ora-pro-nóbis

Consumir essas plantas também significa fazer um resgate cultural de costumes antigos. Entre os exemplos mais famosos está a ora-pro-nóbis, apelidada de “carne verde” devido ao seu elevado teor de proteína. Outra espécie curiosa é o peixinho, uma hortaliça que, quando empanada e frita, ganha o formato e o sabor idênticos aos de um peixe lambari. A lista de novidades para o paladar ainda inclui a azedinha, que tem um gosto ácido e pode substituir o limão nos temperos, ganhando o apelido popular de “salada pronta”. Já o dente-de-leão é uma fonte natural de vitaminas A e C, sendo que tanto as suas folhas quanto as suas flores são totalmente comestíveis.

“Peixinho”

Da decoração de doces ao patrimônio cultural

Muitas vezes, as pessoas consomem uma PANC sem saber de sua origem. É o caso da vinagreira, cuja flor é a matéria-prima do famoso e diurético chá de hibisco; suas folhas também são a base do arroz de cuxá, prato que virou Patrimônio Cultural Brasileiro no Maranhão. No ramo da confeitaria, quem se destaca é a fisális, uma pequena fruta azedinha envolvida por uma folha seca em formato de balão, muito utilizada para decorar doces finos e tortas. Especialistas reforçam que, ao abrir o cardápio para essas plantas, o consumidor ganha em saúde, economiza e ainda ajuda a valorizar a biodiversidade e a culinária de cada região do país.

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