O uso frequente de medicamentos para dormir, comum entre pessoas com insônia, pode causar efeitos negativos à saúde ao longo do tempo. Um estudo publicado em outubro na revista The Lancet Regional Health analisou dados de 15,3 milhões de pessoas com mais de 50 anos, nos Estados Unidos, que faziam uso regular desses remédios.
Os pesquisadores compararam dois cenários: a manutenção do uso e a interrupção das medicações. Os resultados mostraram que quem evitou o uso apresentou menor comprometimento cognitivo e melhora significativa na qualidade de vida.
A pesquisa também chama atenção para o aumento do risco de quedas e prejuízos cognitivos, principalmente entre idosos. Segundo a neurofisiologista especialista em sono Leticia Soster, do Hospital Israelita Albert Einstein, quanto maior a sedação, maior a chance de alterações no equilíbrio.
Ela reforça que o tratamento medicamentoso pode ser indicado em casos de insônia crônica, mas sempre de forma temporária e com acompanhamento médico, sem normalizar o uso contínuo por longos períodos.
Redução gradual e alternativas ao medicamento
Os achados reforçam a importância da redução gradual ou interrupção desses medicamentos quando possível. De acordo com especialistas, o uso prolongado pode trazer mais prejuízos do que benefícios. Como alternativas, o Consenso Brasileiro de Insônia recomenda a terapia cognitivo-comportamental para insônia (TCC-I), além de exercícios físicos regulares e hábitos de higiene do sono.
Essas medidas ajudam a melhorar o descanso e reduzem a dependência de remédios, promovendo ganhos duradouros para a saúde física e mental.