Um estudo publicado na revista científica JAMA Pediatrics identificou uma relação direta entre o tempo que os pais passam no celular e a exposição dos filhos às telas. A pesquisa, que reuniu dados de aproximadamente 14,9 mil participantes em dez países, também associou o uso excessivo de dispositivos eletrônicos na infância a pior desempenho cognitivo e ao aumento de comportamentos como irritação e ansiedade.
Aprendizado acontece pela observação
Segundo os pesquisadores, o resultado está ligado ao mecanismo de aprendizagem por observação descrito pelo psicólogo Albert Bandura. Nesse processo, as crianças observam os comportamentos dos adultos, armazenam essas informações e tendem a reproduzi-las. Quando percebem uma recompensa, como expressões de satisfação ao olhar para a tela do celular, o hábito ganha ainda mais força. Além da imitação, especialistas alertam que o uso constante dos aparelhos pode reduzir momentos importantes de interação familiar, fundamentais para o desenvolvimento da linguagem, da atenção e do controle emocional.
Excesso de telas preocupa especialistas
O estudo reforça preocupações já observadas em outras pesquisas. Um levantamento publicado pela revista Pediatrics mostrou que crianças frequentemente tentam recuperar a atenção dos pais quando eles permanecem focados nos celulares durante atividades como refeições. A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças menores de 18 meses não sejam expostas a telas, exceto em chamadas de vídeo, e que entre 2 e 5 anos o uso seja limitado a uma hora diária, sempre com acompanhamento de um adulto. O alerta ganha ainda mais relevância no Brasil, país que lidera o ranking mundial de tempo gasto em redes sociais, com média de 3 horas e 32 minutos por dia, segundo o Relatório Digital 2025.