A administração correta do colostro, primeiro alimento ingerido pelo bezerro após o nascimento, é considerada uma das etapas mais importantes para a saúde do rebanho. Especialistas alertam que falhas nesse processo estão entre as principais causas de mortalidade de bezerros nas fazendas de cria. Como os animais nascem praticamente sem anticorpos, é por meio do colostro que recebem a proteção necessária contra doenças nas primeiras semanas de vida. A recomendação é seguir a chamada regra do 2-4-6: a primeira mamada deve ocorrer nas duas primeiras horas, o bezerro deve consumir um volume equivalente a 10% do peso vivo – cerca de quatro litros para um animal de porte médio – e toda a ingestão deve ser concluída em até seis horas após o nascimento.
Segundo especialistas, o sucesso da colostragem depende de um acompanhamento rigoroso, principalmente nos partos realizados durante a noite, quando a janela ideal para a ingestão do colostro pode passar despercebida. Caso o bezerro tenha dificuldade para mamar, é necessário intervir rapidamente com mamadeira ou, em situações específicas, sonda esofágica, procedimento que deve ser realizado apenas por profissionais treinados. Além da alimentação, cuidados como secar o animal, mantê-lo aquecido e acomodá-lo em um local limpo ajudam a evitar a hipotermia e favorecem a absorção dos nutrientes.
Além da quantidade e do momento da administração, a qualidade do colostro é outro fator essencial para garantir a imunização dos bezerros. A recomendação é utilizar um refratômetro óptico para medir o índice Brix, que indica a concentração de imunoglobulinas. O ideal é que o colostro apresente 25% Brix ou mais, assegurando uma transferência eficiente de anticorpos. Especialistas ressaltam que investir em um manejo adequado na maternidade reduz a ocorrência de doenças, melhora o desenvolvimento dos animais e contribui para uma pecuária mais produtiva.