Um estudo realizado em Israel, que acompanhou mais de 51 mil nascimentos até 2021, revelou que o hipotireoidismo não tratado durante a gestação aumenta significativamente o risco de a criança desenvolver o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Os pesquisadores observaram um “efeito cascata”: quanto mais tempo a mãe passa com os hormônios desregulados, maior a probabilidade de diagnóstico. Se o desequilíbrio persistir por apenas um trimestre, o risco sobe 69%; se durar os nove meses, o risco de autismo chega a ser 225% maior (mais que o triplo) em comparação a bebês de mães com a tireoide saudável.
A explicação para essa conexão reside na biologia do desenvolvimento fetal. Especialmente nos primeiros meses, o bebê depende totalmente dos hormônios da mãe para a formação adequada do cérebro. Quando os níveis de hormônios tireoidianos estão baixos, o neurodesenvolvimento pode ser prejudicado, resultando em atrasos na linguagem ou prejuízos cognitivos. O estudo destaca que o perigo real não é ter a doença crônica em si, mas sim a falta de controle hormonal; mulheres que já tratavam o hipotireoidismo antes e mantiveram as taxas normais na gravidez não apresentaram aumento no risco de TEA.
A importância do pré-natal e do exame de TSH
Diante dessas informações, especialistas reforçam que o monitoramento da tireoide deve ser parte essencial da rotina das gestantes. O rastreamento é simples, feito por meio de um exame de sangue comum (TSH), e o tratamento é acessível e eficaz. Identificar e corrigir qualquer falha hormonal o quanto antes é a melhor estratégia para garantir um ambiente saudável para o crescimento do feto. Embora a ciência ainda não aponte o hipotireoidismo como causa direta e única do autismo, os dados comprovam que o cuidado preventivo é um aliado fundamental para a saúde infantil a longo prazo.