O número de feminicídios atingiu o maior patamar da história em 2024, com 1.492 mulheres assassinadas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado no dia 24 de julho. A alta de 0,7% em relação a 2023 ocorre em meio à queda de 5,4% nas mortes violentas intencionais no país, evidenciando que a violência contra a mulher segue resistente. Além disso, 3.870 tentativas de feminicídio foram registradas — um crescimento de 19%, apesar da criação da Lei nº 14.994/2024, que tornou o feminicídio um crime no Código Penal.
O perfil das vítimas mostra uma realidade marcada por desigualdade racial e social: 63,6% eram negras, 70,5% tinham entre 18 e 44 anos, e 64,3% foram mortas dentro de casa, geralmente por companheiros ou ex-companheiros (80% dos casos). Mais da metade dos crimes foi cometida com armas brancas, como facas. O relatório aponta ainda a ineficácia das medidas protetivas: mais de 100 mil violações foram notificadas em 2024 e ao menos 121 mulheres foram mortas mesmo sob proteção judicial, revelando que o sistema atual não tem conseguido prevenir os casos mais graves de violência doméstica.
Enquanto o país celebra a redução nas mortes por homicídios comuns, outros indicadores também geram preocupação. As mortes violentas de crianças e adolescentes cresceram 4%, totalizando 2.356 vítimas. Os casos de estupro também atingiram um recorde histórico, com 87.545 vítimas, das quais três em cada quatro tinham até 14 anos. Crimes como assédio sexual (+7%), importunação sexual (+5%) e pornografia infantil (+13%) também apresentaram alta, reforçando a necessidade urgente de políticas públicas mais efetivas e integradas de prevenção, acolhimento e responsabilização.
Fonte: Jovem Pan.