O esquema de fraudes revelado no mês passado pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) já é considerado o maior da história recente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram desviados por meio de descontos indevidos em contracheques de aposentados e pensionistas, realizados por sindicatos e entidades associativas sem autorização dos beneficiários.
A gravidade do caso resultou no afastamento de seis servidores e na demissão do então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto. O ministro da Previdência, Carlos Lupi, também deixou o cargo em meio à crise.
Especialistas apontam falhas graves
Para o professor Luis Lopes Martins, da Fundação Getulio Vargas (FGV), essa é a maior fraude desde 1992, e pode representar um prejuízo quase total do valor apurado. Segundo ele, o caso mostra sinais de omissão ou até conivência da cúpula do órgão, além de fragilidade nos mecanismos de segurança internos.
A advogada Beatriz Alaia Colin, especialista em Direito Penal Econômico, destacou que o modus operandi do esquema, com pequenos descontos em massa, dificultou a identificação precoce das irregularidades. Ambos concordam que os sistemas de controle interno precisam ser aprimorados para evitar fraudes dessa magnitude.
Governo promete correções, mas há críticas internas
O novo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que os valores serão devolvidos automaticamente aos beneficiários lesados, diretamente no pagamento dos benefícios. Já o ministro da CGU, Vinicius Marques de Carvalho, afirmou em vídeo que a ordem do governo é ser “implacável com a corrupção”.
No entanto, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou a própria CGU por não ter alertado a alta cúpula do governo a tempo, o que, segundo ele, poderia ter evitado danos maiores. A crise expõe não só um rombo bilionário, mas também uma falta de comunicação entre os órgãos responsáveis pela fiscalização.
Fonte: CNN.