Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e das empresas distribuidoras, apresentados na Câmara dos Deputados na última quarta-feira, revelam que os consumidores brasileiros pagam mais de R$ 7 bilhões anuais devido aos furtos de energia e fraudes em medidores. Conhecidas no setor como perdas não técnicas, essas irregularidades incluem as ligações clandestinas, os populares “gatos”. Ao todo, o prejuízo total chegou a R$ 11,3 bilhões, sendo que a maior parte desse valor acabou repassada diretamente para as contas de luz da população.
O volume de energia perdida no sistema nacional atingiu 40 terawatts-hora, o que representa mais de 6% de toda a eletricidade distribuída no país. A Aneel explicou que o repasse do prejuízo para as tarifas não é integral, mas calculado a partir de uma comparação do desempenho e da complexidade da área de atuação de cada uma das 51 distribuidoras. O problema se concentra de forma mais intensa nas regiões Norte e Sudeste, com destaque para os estados do Amazonas e do Rio de Janeiro, onde o furto de energia chega a encarecer as contas de luz residenciais em até 13%.
Além dos desvios na rede, o setor enfrenta um crescimento acentuado no roubo de cabos elétricos, com 25 mil ocorrências registradas em um único ano, gerando perdas de R$ 97 milhões, além de causar interrupções no fornecimento e acidentes. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) apontou que o setor projeta uma melhora nos indicadores para este período devido à legislação recente, que aumentou a punição para o roubo e receptação de fios e cabos metálicos.