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Governo corre risco de não ter dinheiro suficiente para investir nos próximos anos

Previsão mostra que quase todo o orçamento será usado com gastos obrigatórios, sobrando pouco para saúde, educação e obras.

O governo federal pode enfrentar dificuldades para investir em áreas como educação, saúde e infraestrutura a partir de 2026. Isso porque os chamados gastos obrigatórios, como aposentadorias, salários de servidores e benefícios sociais, devem continuar crescendo ano após ano. Já os gastos livres, que são usados para fazer investimentos e manter serviços básicos funcionando, devem cair drasticamente.

Em 2029, por exemplo, a previsão é que sobrem apenas R$ 8,9 bilhões para essas despesas, o menor valor da história recente. Para comparação, em 2026 o valor estimado era de R$ 208 bilhões.

Por que isso está acontecendo?

A explicação está em regras aprovadas nos últimos anos que tentam controlar quanto o governo pode gastar, chamadas de “arcabouço fiscal”. O problema, segundo especialistas, é que essas regras não têm sido suficientes para conter o aumento dos gastos obrigatórios, que crescem automaticamente.

Além disso, a partir de 2027, o governo terá que incluir no orçamento o pagamento de precatórios, dívidas reconhecidas pela Justiça, que hoje estão parcialmente fora da conta. Isso deve tirar ainda mais espaço dos investimentos.

Outro ponto preocupante é o aumento da dívida pública, ou seja, o quanto o governo deve. Enquanto o governo acredita que a dívida vai diminuir a partir de 2028, especialistas dizem que ela deve continuar crescendo até 2034. Isso acontece porque o governo está apostando em receitas (dinheiro que entra nos cofres públicos) que talvez não se confirmem, além de prever crescimento econômico e juros menores do que os analistas consideram realistas.

E o que pode ser feito?

Especialistas apontam que a única saída será fazer uma reforma profunda no orçamento. Isso significa, por exemplo, rever regras que obrigam o governo a gastar valores fixos em saúde e educação, além de discutir o peso das emendas parlamentares, que hoje consomem bilhões e nem sempre são usadas com eficiência.

Também sugerem mudar a forma como o salário mínimo impacta as contas públicas. A mensagem principal dos economistas é clara: sem mudanças estruturais, o país pode travar financeiramente nos próximos anos, e qualquer governo — seja qual for o eleito — terá que lidar com esse problema de frente.

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