
O projeto de lei que prevê a legalização de cassinos, bingos e jogo do bicho, além de autorizar apostas em corridas de cavalos, deverá ser votado pelo Senado apenas após as eleições municipais de outubro. A proposta, já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), retornará à Comissão depois de sua passagem pelo Plenário, uma vez que recebeu 11 emendas que necessitam de parecer. A decisão de adiar a apreciação foi tomada durante uma reunião de líderes partidários.
Para ajudar na formação de opinião dos senadores, o Plenário do Senado realizou um debate temático com a participação de autoridades favoráveis e contrárias ao projeto. O relator da proposta, senador Irajá (PSD-TO), argumenta que a regulamentação dos jogos trará benefícios econômicos significativos, como o aumento do turismo e a geração de empregos. “Todos os países que regulamentaram os jogos com responsabilidade e combateram o jogo ilegal cresceram socialmente e economicamente”, afirmou Irajá. Segundo ele, esses países viram dobrar o fluxo de turistas em um período médio de 85 anos, e o Brasil poderia atrair investimentos de até 100 bilhões de reais, além de criar cerca de 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos.
Entretanto, a proposta enfrenta resistência de especialistas em saúde mental. O psiquiatra Hermano Tavares, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, alerta para os riscos de dependência associados aos jogos de azar. “O que caracteriza essa dependência é a perda de controle. O indivíduo não consegue se conter e sempre excede aquilo que prometeu a si mesmo”, explicou Tavares. Ele compara os efeitos dos jogos no cérebro aos de substâncias como álcool e cocaína, destacando o potencial para causar dependência. O projeto de lei prevê a instalação de cassinos em resorts, polos turísticos e complexos de lazer integrados, com bares, restaurantes e hotéis.