A esponja usada diariamente para lavar a louça esconde uma fonte pouco conhecida de poluição doméstica. Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade de Bonn, na Alemanha, revelou que o atrito gerado ao esfregar panelas, pratos e talheres desgasta a superfície da esponja, desprendendo partículas de plástico com menos de 5 milímetros — os chamados microplásticos. Publicada na revista científica Environmental Advances, a pesquisa combinou testes de laboratório com o uso real na casa de voluntários e comprovou que todas as esponjas analisadas liberam esses resíduos, que seguem pelo ralo junto com a água da limpeza.
Impacto no meio ambiente
Embora a quantidade liberada por uma única pessoa pareça inofensiva — variando de 0,682 a 4,212 gramas por ano —, o impacto se torna gigantesco quando calculado para toda a população. Os cientistas estimaram que, se um único modelo de esponja fosse utilizado em todas as residências da Alemanha, a liberação anual alcançaria 355 toneladas de microplásticos. Mesmo com as estações de tratamento de esgoto retendo parte dos resíduos, uma parcela significativa dessas partículas consegue escapar e poluir rios, lagos, mares e o solo.
Como reduzir os danos à natureza
Para os autores do estudo, o tipo de material escolhido faz toda a diferença, já que a quantidade de partículas liberadas varia segundo a composição do produto. Além disso, a pesquisa acendeu outro alerta importante: o consumo de água responde por 85% a 97% dos danos ambientais na lavagem manual da louça. A recomendação é optar por esponjas com menor teor de plástico para diminuir esse descarte contínuo e utilizar a água de forma consciente.