Apesar da presença marcante das mulheres no trabalho agrícola, elas ainda são minoria na gestão das propriedades. Segundo o último censo agropecuário do IBGE, realizado em 2017, quase um milhão de mulheres lideram propriedades rurais no Brasil, o que representa apenas 18,7% do total. Mesmo assim, o número mostra crescimento em relação a 2006, quando a participação feminina era de 12,7%.
Capacitação incentiva protagonismo
Para fortalecer a presença feminina na liderança rural, iniciativas de capacitação têm ganhado espaço. Em Santa Catarina, a Epagri investe em programas voltados às mulheres do campo. Um exemplo é o curso Flor-E-Ser, que entre 2019 e 2025 já formou mais de 1.300 participantes em áreas como gestão, empreendedorismo e liderança. Segundo a coordenação do programa, muitas mulheres relatam que, após a formação, passaram a ocupar funções estratégicas nos negócios familiares e a participar do planejamento das propriedades. Outro projeto é o Ação Jovem Rural e do Mar, voltado à sucessão familiar, que já contou com a participação de mais de 320 mulheres nos últimos anos.
Sucessão rural e mudança de mentalidade
A produtora rural Elisiane Soster, de Belmonte (SC), administra ao lado da mãe uma propriedade com produção de leite, soja e milho. Após a morte do pai, há quatro anos, as duas assumiram a gestão da fazenda da família. Com formação técnica e capacitações na área, Elisiane também passou a atuar com consultoria e palestras sobre sucessão rural, destacando que as mulheres estão conquistando cada vez mais espaço na liderança no campo.