Nesta quarta-feira (1º), entrou em vigor o novo sistema de rastreabilidade do Ministério da Agricultura e Pecuária voltado ao controle do uso de antimicrobianos na produção pecuária. A medida tem como objetivo documentar todo o ciclo de vida dos animais, desde o nascimento até o abate, atendendo às exigências da União Europeia, que cobra comprovação de que os animais destinados ao mercado europeu não receberam medicamentos proibidos. O novo protocolo faz parte da Estratégia Nacional de rastreabilidade e representa um passo importante para preservar as exportações brasileiras de carne.
Pecuária bovina enfrenta os maiores desafios
O principal impacto será sentido na bovinocultura, já que o ciclo produtivo dos bovinos pode durar entre 24 e 36 meses, além de os animais passarem por diferentes propriedades durante as fases de cria, recria e engorda. Isso torna mais complexa a documentação completa do histórico sanitário de cada animal. Outro desafio envolve os ionóforos, aditivos utilizados para melhorar a eficiência alimentar do rebanho e que também estão entre as substâncias restringidas pela União Europeia. O governo brasileiro chegou a solicitar um período de transição para adaptação às novas regras, mas o pedido foi rejeitado pelo bloco europeu.
Mudanças devem impactar o setor nos próximos anos
Especialistas avaliam que o novo sistema poderá aumentar a transparência e a segurança sanitária da cadeia produtiva, mas exigirá investimentos em tecnologia, gestão e controle das propriedades rurais. Enquanto setores como a avicultura e parte da suinocultura devem se adaptar mais rapidamente devido ao ciclo produtivo mais curto e ao sistema integrado de produção, a pecuária bovina ainda enfrenta obstáculos para atender plenamente às exigências internacionais. Produtores e entidades do setor discutem alternativas, como a criação de propriedades certificadas para exportação ao mercado europeu.