A obesidade é atualmente o principal fator de risco para a mortalidade e a perda de qualidade de vida dos brasileiros, ultrapassando a hipertensão e a glicemia elevada, que agora ocupam o segundo e o terceiro lugar no ranking nacional. O dado foi revelado pela análise brasileira do Estudo Global sobre Carga de Doenças, publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. Segundo especialistas da área médica, o crescimento das cidades nas últimas décadas transformou a rotina da população, resultando em menor prática de exercícios físicos e no consumo excessivo de alimentos calóricos, ultraprocessados e ricos em sal.
A pesquisa aponta que essa mudança no estilo de vida gerou um ambiente propício para o ganho de peso, transformando a obesidade em um dos maiores desafios de saúde pública do país. Especialistas reforçam que a condição vai além do excesso de peso, caracterizando-se como uma doença crônica inflamatória e metabólica que eleva o risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2, pressão alta, infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e diversos tipos de câncer.
O cenário atual mostra uma inversão drástica em comparação com os dados de 1990, quando a hipertensão liderava os riscos, seguida pelo tabagismo e pela poluição do ar, enquanto o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado ocupava apenas a sétima posição. De 1990 a 2023, o impacto do IMC elevado acumulou uma alta de 15,3%. Embora o país tenha registrado quedas expressivas de aproximadamente 60% nos riscos ligados ao colesterol alto, tabagismo e baixo peso ao nascer, o tabagismo voltou a registrar uma leve alta de 0,2% entre 2021 e 2023. Outro dado alarmante do relatório foi o crescimento de quase 24% no impacto da violência sexual na infância, que saltou da 25ª posição em 1990 para o 10º lugar no levantamento mais recente.