Santa Catarina ocupa o primeiro lugar no Brasil no consumo de alimentos ultraprocessados, e entender o motivo passa por fatores que vão além do gosto ou praticidade. De acordo com a nutricionista e doutora em Saúde Coletiva Raquel Kerpel, o consumo elevado está ligado a uma combinação de fatores biológicos, econômicos, sociais, culturais e ambientais que moldam os hábitos alimentares no estado, mesmo em cidades com alto IDH.
“A informação nem sempre leva à mudança de comportamento”, explica Raquel, destacando que estratégias de marketing com frases como “sem glúten” ou “baixo sódio” criam uma falsa sensação de saudabilidade.
Um estudo da USP identificou que Florianópolis, São José e Balneário Camboriú são as cidades brasileiras que mais consomem calorias de ultraprocessados, com índices que chegam a 30,5% da ingestão diária de calorias vindas de produtos como refrigerantes, biscoitos recheados e salgadinhos.

Impactos na saúde e necessidade de políticas públicas
O consumo excessivo desses alimentos está associado ao aumento de doenças crônicas como obesidade, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares, impactando o sistema público de saúde. Para Raquel, é essencial que o enfrentamento do problema vá além da escolha individual e passe por políticas públicas que garantam o acesso real a uma alimentação equilibrada.
Cidades como Florianópolis e São José já aderiram ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), mas, segundo a especialista, “o fortalecimento dessas políticas é essencial para transformar o perfil alimentar da população catarinense e reduzir a dependência de produtos ultraprocessados.”
Fonte: ND+.