Santa Catarina consolida o pinhão como um pilar estratégico para a economia regional, com uma produção anual que atinge 5 mil toneladas. A atividade envolve mais de 10 mil famílias onde a semente da araucária representa uma fonte de renda essencial durante os meses de inverno. Para apoiar o setor, a legislação estadual, garante a isenção de ICMS para a venda do produto em estado natural, buscando aumentar a competitividade dos pequenos produtores rurais.
O mercado do pinhão evoluiu de uma iguaria sazonal para um item de consumo constante, alcançando inclusive mercados internacionais como o Japão. Produtores locais relatam que a comercialização da semente, iniciada de forma tímida na década de 1970, hoje é totalmente absorvida pelo mercado. A renda gerada pela safra é considerada estratégica, pois ocorre em um período de baixa produtividade de outras culturas agrícolas devido ao rigor do clima frio na região serrana e no planalto norte.
Pratos típicos são reconhecidos como patrimônio cultural de Santa Catarina
A gastronomia baseada no pinhão ganhou um novo status jurídico com a oficialização do entrevero e da paçoca de pinhão como patrimônios culturais imateriais do estado. As leis 19.115/2024 e 19.114/2024 formalizam o reconhecimento dessas receitas. A medida busca preservar os hábitos e modos de vida transmitidos entre gerações, protegendo os costumes ligados ao ciclo da colheita e ao período de inverno na região.
O entrevero tem suas raízes ligadas ao cotidiano dos tropeiros, sendo preparado em refeições coletivas que misturam diferentes tipos de carnes, legumes e temperos. Já a paçoca de pinhão possui origem nas tradições indígenas, consolidando-se na culinária regional como um alimento de alto valor energético e preparo simplificado. Ambas as iguarias utilizam a semente da araucária como ingrediente principal, reforçando a conexão entre o meio ambiente e a mesa dos catarinenses.