Santa Catarina se consolida como o quinto estado que mais arrecada tributos federais no Brasil, mas o retorno desses recursos tem gerado preocupação no setor produtivo. Um levantamento da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística (Fetrancesc) revela que, entre 2021 e 2025, o estado enviou cerca de R$ 590 bilhões em impostos para Brasília. No entanto, o montante devolvido pela União foi de pouco mais de R$ 83 bilhões, o que representa um retorno de apenas 14% do valor total arrecadado.
A disparidade é acentuada quando comparada aos estados vizinhos da Região Sul. Enquanto Paraná e Rio Grande do Sul registraram uma média de retorno de 27% nos últimos cinco anos, o índice catarinense permanece na metade desse patamar. De acordo com a Fetrancesc, essa diferença no tratamento federativo é difícil de compreender, já que os estados possuem perfis econômicos similares, mas Santa Catarina acaba recebendo proporcionalmente menos recursos para investimentos essenciais.
Para o setor de transporte e logística, esse desequilíbrio impacta diretamente o desenvolvimento catarinense, resultando em obras de infraestrutura mais lentas e dificuldades no escoamento da produção. Diante desse cenário, entidades produtivas defendem uma revisão nos critérios do pacto federativo. O objetivo é buscar um modelo de distribuição mais equilibrado, que considere a alta contribuição do estado e garanta os investimentos necessários para manter a competitividade econômica da região.