A grave crise do setor leiteiro em Santa Catarina foi tema de uma audiência pública realizada na noite desta quarta-feira (12) na Assembleia Legislativa (Alesc). O encontro, promovido pela Comissão de Agricultura e Desenvolvimento Rural, reuniu deputados, representantes do governo estadual, cooperativas e produtores para discutir medidas emergenciais de apoio ao setor.
Entre os participantes, o secretário de Desenvolvimento Rural de Canoinhas, Gildo Stoker, representou o município e destacou a força e a resistência dos agricultores locais. “Gostaria de agradecer aos produtores de leite que ainda não desistiram do Brasil, porque é graças a vocês que o alimento essencial está na mesa todos os dias”, afirmou.
Durante a audiência, Stoker também questionou as diferenças de valorização entre o produtor brasileiro e o estrangeiro, pedindo mais respeito e políticas de incentivo à produção local. O Planalto Norte Catarinense possui cerca de 800 famílias produtoras, responsáveis por 70 milhões de litros de leite por ano — em Canoinhas, são 147 famílias envolvidas diretamente na atividade.
O evento foi marcado por forte participação popular, com o auditório Antonieta de Barros lotado de trabalhadores que usavam adesivos com a frase “Luto pelo Leite”, em protesto contra a desvalorização do produto.
Entre as medidas em discussão está o Projeto de Lei 768/2025, que proíbe a reconstituição de leite em pó importado para comercialização como leite fluido em Santa Catarina, como forma de proteger os produtores locais. A proposta surge em meio à forte queda no preço pago ao produtor, que despencou de R$ 2,40 para menos de R$ 1,80 por litro, valor insuficiente para cobrir os custos de produção.
Segundo dados da Epagri/Cepa, a produção estadual caiu mais de 10% em relação a 2024, reflexo do desestímulo e do abandono da atividade por pequenos agricultores.