
Empresários de Santa Catarina demonstram preocupação com o fim da desoneração da folha de pagamento, que impactará diretamente setores que mais empregam no estado, como o de proteína animal e de máquinas e equipamentos. A medida, que substituía a contribuição previdenciária sobre a folha salarial por alíquotas sobre a receita bruta, voltará gradualmente a partir de 2025, até que a alíquota cheia de 20% seja restabelecida em 2028.
Elson Otto, presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC), afirma que o governo deveria priorizar uma reforma administrativa para reduzir gastos antes de aumentar a carga tributária das empresas. Otto destaca a necessidade de uma reforma que atinja a União, reduzindo os custos públicos em vez de sobrecarregar o setor produtivo.
“Esses 17 setores, que empregam milhares de pessoas, sentirão fortemente a reoneração nos próximos três anos. Estamos mobilizados junto aos parlamentares para evitar que a indústria e outros setores produtivos sejam prejudicados”, pontuou o presidente da FACISC, apelando para uma ação efetiva no Congresso Nacional.
Pablo Bittencourt, economista-chefe da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), concorda com a necessidade de equilíbrio nas contas públicas, mas critica o aumento da carga tributária como solução. Ele ressalta que a indústria brasileira já é uma das mais tributadas do mundo, e que a desoneração era uma forma de compensar as debilidades de infraestrutura e competitividade no país. “Reonerar a atividade produtiva e industrial vai prejudicar ainda mais a competitividade da economia brasileira”, concluiu Bittencourt.