Uma inovação desenvolvida por cientistas brasileiros promete transformar o manejo de pragas na agricultura e reduzir a dependência de defensivos químicos sintéticos. Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP – Sorocaba), integrantes do INCT NanoAgro, criaram uma solução biotecnológica que combina impressão 3D, nanotecnologia e óleos essenciais (como os extraídos de gerânios e do cravo). O estudo, publicado na revista científica ACS Omega, foca no uso de biopesticidas naturais que, apesar de eficientes, costumam ser muito instáveis e se degradar rapidamente com o clima. Para resolver esse problema, a equipe conseguiu encapsular os óleos dentro de proteínas do milho, garantindo a preservação e a liberação gradual das substâncias por mais de 60 dias.
Hidrogel impresso em 3D funciona como isca
A grande novidade do projeto consiste em incorporar essas nanopartículas protetoras em hidrogéis feitos com ingredientes biodegradáveis, como algas e frutas. Utilizando a tecnologia de impressão 3D, os cientistas conseguiram moldar esses géis em estruturas sob medida, com controle preciso de tamanho e porosidade. Nos testes de laboratório realizados com a mosca-branca — uma das pragas mais devastadoras da agricultura mundial, responsável por destruir lavouras e transmitir vírus —, os dispositivos feitos com pectina apresentaram uma taxa de atração superior a 50%. Em vez de apenas repelir ou tentar eliminar o inseto de forma indiscriminada, os protótipos funcionaram como uma armadilha altamente atraente.
O futuro do Manejo Integrado de Pragas
Essa capacidade de atração abre uma oportunidade estratégica para o campo. Em vez de pulverizar veneno por toda a plantação, os produtores poderão utilizar os dispositivos como iscas localizadas, atraindo as pragas para pontos específicos de controle. Essa estratégia faz parte do chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP), focado em ações cirúrgicas e com menor impacto ecológico. Embora os resultados sejam promissores, os pesquisadores ressaltam que os testes ocorreram em ambiente fechado e que os próximos passos envolvem experimentos em estufas e em campo aberto.