O uso de celulares e tablets para acalmar crianças entre 3 e 5 anos pode trazer prejuízos ao desenvolvimento emocional. É o que aponta um estudo publicado no Journal of the American Medical Association, que identificou relação entre o uso frequente de dispositivos e a diminuição do funcionamento executivo, além do aumento da reatividade emocional — ou seja, maior dificuldade para lidar com frustrações e emoções intensas.
O funcionamento executivo envolve capacidades como controle de impulsos, memória e atenção, fundamentais para o aprendizado e a convivência social. Segundo os pesquisadores, essas habilidades, junto com a autorregulação emocional, são mais determinantes para o sucesso escolar do que a própria inteligência. Durante a primeira infância, especialmente entre os 2 e 5 anos, essas competências estão em pleno desenvolvimento, o que torna esse período ainda mais sensível à influência do ambiente e dos hábitos cotidianos.
Orientação para pais e responsáveis
Para evitar que o uso de telas substitua o aprendizado natural sobre como lidar com as emoções, especialistas orientam que pais e responsáveis busquem alternativas que promovam a autonomia emocional da criança. A recomendação principal é substituir os dispositivos pelo diálogo e acolhimento, incentivando os pequenos a respirar fundo e reconhecer o que estão sentindo em momentos de irritação. Uma estratégia prática é a criação de um “cantinho da calma”, com objetos como livros e almofadas, que ajudam no desenvolvimento do autocontrole e evitam a alta reatividade emocional a longo prazo.