Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista Food and Humanity, trouxe um alerta preocupante sobre a segurança alimentar nas residências brasileiras. Após entrevistar 5 mil pessoas, os pesquisadores descobriram que práticas inadequadas de manipulação de alimentos são comuns em todas as regiões do país. Entre os hábitos de risco estão lavar a carne crua na pia — o que favorece a contaminação cruzada —, descongelar produtos em temperatura ambiente e deixar sobras de comida expostas por mais de duas horas, facilitando a rápida proliferação de bactérias.
Falhas na higienização e o fator renda
A pesquisa destaca que apenas 38% dos participantes realizam a higienização de vegetais de forma correta, processo que exige o uso de solução sanitizante e não apenas água ou vinagre. O levantamento também revelou que a renda familiar influencia diretamente na segurança: famílias com menor poder aquisitivo tendem a utilizar métodos menos eficazes de limpeza e armazenamento. Especialistas reforçam que muitos desses comportamentos são hábitos culturais enraizados que, embora pareçam seguros, escondem perigos invisíveis, colocando em risco a saúde de crianças, idosos e pessoas com imunidade baixa.
Pequenas mudanças na rotina garantem mais segurança
Para garantir a segurança alimentar dentro de casa, o processo de higienização deve ser e feito antes do consumo: após retirar partes danificadas, lave frutas, verduras e legumes em água corrente e, para eliminar microrganismos, deixe-os de molho em solução clorada (conforme a concentração do fabricante) por 15 minutos, enxaguando bem ao final. Já nos produtos embalados trazidos da rua, utilize álcool 70% nas superfícies e, se necessário, troque as embalagens sujas por limpas. No momento do armazenamento, priorize a regra PVPS (o primeiro que vence é o primeiro que sai) e organize a geladeira evitando o contato entre alimentos crus e cozidos: coloque os prontos para consumo nas prateleiras superiores e os crus nas inferiores, nunca forrando as repartições para não impedir a circulação de ar. Por fim, mantenha os não perecíveis em locais secos e arejados, transferindo sobras de latas para recipientes com tampa antes de refrigerá-las.