Pesquisadores do Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR) e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estão desenvolvendo o projeto Apeiron, que usará inteligência artificial para decodificar o que a natureza “fala” sobre o ambiente urbano. A iniciativa vai captar os sons de morcegos, o voo das abelhas, a transpiração das aroeiras e até o ritmo com que as ostras abrem suas conchas na cidade de Recife. Esses dados serão comparados com o comportamento das mesmas espécies em áreas de proteção ambiental para entender o nível de estresse causado pela ação humana.
O termômetro do estresse ambiental
De acordo com o biólogo e pesquisador Artur Maia, os seres vivos mudam suas respostas metabólicas para conseguir sobreviver em condições adversas. Uma ostra inserida em um ambiente poluído, por exemplo, reduz a frequência de filtração da água para evitar o acúmulo de metais pesados, alterando completamente o seu ritmo natural. A proposta dos cientistas é unificar o “nervosismo” desses diferentes organismos para calcular o Índice de Resiliência Metabólica (IRM) de cada localidade. Esse indicador vai funcionar de forma semelhante ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), utilizando uma escala padronizada de 0 a 100 para apontar o esforço real que a fauna e a flora estão fazendo para não morrer na cidade.
A expectativa é que os primeiros testes práticos da pesquisa comecem a ser executados até novembro na capital pernambucana. Os cientistas defendem que o metabolismo das espécies não pode ser fingido e, por isso, traz uma informação totalmente fiel sobre a qualidade do ambiente em que os próprios seres humanos vivem.