Pesquisadores do Instituto Biológico, em São Paulo, estão desenvolvendo uma alternativa sustentável para o controle de parasitas na pecuária. O estudo utiliza ácaros predadores como inimigos naturais de carrapatos, nematoides e outros organismos que comprometem a saúde dos animais e a produtividade no campo. A proposta é reduzir a dependência de vermífugos e outros produtos químicos, que vêm perdendo eficiência devido ao aumento da resistência dos parasitas. Em testes de laboratório, a técnica já apresentou eficácia superior a 65% no controle desses organismos.
Estratégia complementa métodos tradicionais
Segundo os pesquisadores, o controle biológico não substitui totalmente os produtos químicos, mas funciona como uma estratégia complementar para tornar o manejo sanitário mais eficiente e sustentável. Os estudos concentram-se em espécies da família Macrochelidae, que vivem em ambientes como o solo das pastagens e o esterco, onde atuam naturalmente na redução da população de parasitas. A técnica é considerada especialmente promissora para a ovinocultura e a caprinocultura, atividades bastante afetadas pelas verminoses em regiões tropicais.
Benefícios para a produção de alimentos
Além de contribuir para o controle de doenças nos rebanhos, a pesquisa pode trazer benefícios à produção de alimentos. Com a redução do uso de produtos químicos, diminui também o risco de resíduos em alimentos de origem animal, como leite e carne, aumentando a segurança alimentar. Os pesquisadores agora avançam para testes em condições de semicampo e, posteriormente, em propriedades rurais, etapa considerada fundamental para avaliar a viabilidade da tecnologia em larga escala e ampliar sua aplicação na pecuária brasileira.