Uma descoberta publicada na revista científica Biology Letters surpreendeu pesquisadores ao revelar que a Agapostemon subtilior, uma espécie conhecida como “abelha do suor”, consegue mudar de cor de acordo com a umidade do ambiente. Em testes de laboratório, os cientistas observaram que o inseto variou de um azul-esverdeado intenso em locais secos para um verde-alaranjado sob alta umidade em apenas 24 horas. Diferente de polvos e camaleões, que mudam de cor de forma voluntária para se camuflar ou comunicar, no caso dessas abelhas a transformação é um efeito puramente físico e involuntário.
A aparência metálica desse inseto não vem de pigmentos, mas sim de uma coloração estrutural formada por várias camadas de células translúcidas que refletem a luz. Michael Hrncir, professor de Fisiologia Animal no Instituto de Biociências da USP, explica que a umidade do ar penetra em pequenas fendas do esqueleto externo da abelha, provocando um inchaço que afasta essas camadas celulares como se fossem placas de vidro. Essa mudança na estrutura altera a forma como a luz é refletida, transformando o visual do animal. O processo é totalmente reversível, e o inseto volta ao tom azulado quando o ambiente fica seco novamente.
Alerta para as espécies no Brasil
Embora o estudo tenha focado em uma espécie da América do Norte, o fenômeno acendeu um alerta para a biodiversidade brasileira. O professor da USP destaca que a presença de insetos com essa mesma característica metálica é significativa no Brasil, que abriga pelo menos 500 espécies de abelhas divididas entre os grupos das “abelhas do suor” e “abelhas das orquídeas”. Como o princípio físico de coloração estrutural é idêntico em todas elas, há uma grande probabilidade de que as abelhas brasileiras também mudem de cor conforme o clima.

