
O aumento dos preços dos alimentos tem impactado com mais força as famílias de baixa renda, segundo um estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/Ibre). Atualmente, o grupo de alimentos consome 22,6% da renda de quem ganha entre 1 e 1,5 salário mínimo, enquanto para famílias de maior poder aquisitivo, essa fatia representa 11,3%. Desde 2018, essa diferença tem se ampliado, tornando o peso da inflação nos alimentos mais perceptível para as camadas mais vulneráveis da população.
O especialista André Braz, coordenador do levantamento, explica que a alta acumulada nos alimentos desde o início da pandemia em 2020 ultrapassa 55%, um valor muito acima da inflação geral do período, de 33,4%. Em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16%, puxada pelo aumento do café e da cenoura.
Entre os fatores que explicam essa alta, estão as condições climáticas adversas de 2024, com eventos como El Niño e La Niña, que impactaram colheitas em várias regiões do país. Além disso, a desvalorização do real e o aumento da demanda interna também pressionaram os preços.