Uma ave marinha rara chamou a atenção de pesquisadores após quatro aparições no litoral de Santa Catarina recentemente. Conhecida como Alma-de-Mestre (Oceanites oceanicus), a espécie passa a maior parte da vida em alto-mar e raramente é vista em terra. No Litoral Norte catarinense, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) registrou apenas 11 aves desde 2015, o que torna os quatro registros deste ano um número incomum.
Ave chega à praia em situação de fragilidade
A espécie, que possui cerca de 42 centímetros, tem grande capacidade de planar próxima às ondas. Quando aparece na areia, porém, o registro pode indicar que a ave está extremamente debilitada. Segundo informações do monitoramento, os animais encontrados em 2026 apresentavam sinais de exaustão, hipotermia, desidratação e baixo peso, condições associadas às longas viagens migratórias e à ocorrência de temporais em alto-mar. Nenhuma das aves encontradas com vida no trecho monitorado resistiu.
O nome Alma-de-Mestre está ligado a antigas histórias de marinheiros, que associavam o chamado prolongado da ave ao som das “almas” de capitães e mestres mortos em naufrágios. Além dos efeitos das condições climáticas, a espécie também enfrenta a poluição dos oceanos. Em uma das necropsias realizadas pela equipe, foram encontrados fragmentos de plástico no estômago da ave. Os registros feitos nas praias ajudam pesquisadores a acompanhar as rotas migratórias e a entender como as condições do oceano e a poluição afetam a fauna marinha.