A Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel) pediu ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) que o mel orgânico brasileiro seja retirado da lista de produtos que poderão receber uma sobretaxa a partir de 15 de julho. Durante audiência pública, a entidade destacou que o Brasil responde por cerca de 75% do mel orgânico consumido no mercado americano, que importa aproximadamente 40 mil toneladas do produto por ano. Atualmente, mais de 80% da produção brasileira de mel é destinada aos Estados Unidos.
Importadores destacam impacto econômico positivo
A defesa do setor contou com o apoio de dois dos maiores importadores de mel orgânico dos Estados Unidos e do principal envasador do produto no país. Segundo as empresas, cada dólar investido na importação de mel orgânico brasileiro gera cerca de US$ 5,50 em atividade econômica nos Estados Unidos. Além do consumo direto, o ingrediente é utilizado na fabricação de diversos produtos, como barras de cereais, granolas e iogurtes, movimentando diferentes segmentos da indústria alimentícia.
A Abemel também destacou que o Brasil possui vantagens naturais que tornam sua produção diferenciada. Entre elas estão a utilização da abelha africanizada, mais resistente a doenças e que dispensa o uso de antibióticos, requisito importante para a certificação orgânica, além da existência de amplas áreas preservadas nos biomas Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga, que atendem às exigências internacionais de produção. Apesar dos argumentos apresentados, o setor aguarda a decisão do governo americano, que deverá anunciar em 15 de julho quais produtos permanecerão sujeitos à sobretaxa e quais serão excluídos da medida.