A Prefeitura de Canoinhas realiza na próxima segunda-feira (27) um ato em defesa da cadeia produtiva do tabaco, reunindo produtores rurais, lideranças políticas e representantes de entidades do setor. O encontro será às 10h, na Asemca, e tem como objetivo elaborar um documento oficial que representará o posicionamento do Planalto Norte de Santa Catarina sobre o tema a ser discutido na COP-11, conferência internacional sobre o controle do fumo que acontecerá em novembro, em Genebra, na Suíça. Após a assinatura do manifesto, será servido almoço aos participantes.
Defesa da economia regional
Durante entrevista à Rádio Clube de Canoinhas, a prefeita Juliana Maciel, que também preside a Associação dos Municípios do Planalto Norte (Amplanorte), destacou que a mobilização busca garantir o direito dos agricultores de continuar produzindo.
“O Planalto Norte depende diretamente do tabaco. Só em 2024, a produção movimentou R$ 1 bilhão. São famílias honradas, que sustentam o comércio e o desenvolvimento de nossos municípios. Precisamos ser ouvidos e respeitados”, afirmou.
Juliana ressaltou ainda que o documento será levado pessoalmente a Brasília, antes de seguir para a delegação brasileira que participará da conferência internacional.
Produção e impacto social

O secretário de Agricultura e também produtor de tabaco, Gildo Stoker, explicou que 59% da produção catarinense de tabaco vem dos municípios da Amplanorte, e que a cultura é fundamental para a manutenção da economia rural.
“Só em Canoinhas, cerca de 2.700 famílias vivem da produção e 500 comércios locais dependem indiretamente dessa renda. Mais vale perder duas horas agora para assinar o documento do que, no futuro, andar atrás de emprego na cidade”, alertou o secretário.
Esclarecimento sobre o debate internacional

A prefeita enfatizou que o objetivo do movimento não é defender o tabagismo, mas a liberdade do agricultor de escolher o que produzir. “Estamos falando de uma cadeia produtiva de exportação, que gera renda digna para milhares de famílias. Não podemos aceitar que o produtor seja tratado como criminoso”, disse Juliana. Ela criticou declarações de representantes da delegação brasileira que, segundo ela, “demonizam o agricultor” e desconhecem a realidade do campo.
O encontro de segunda-feira é organizado pela Prefeitura de Canoinhas, em parceria com Amplanorte, Afubra, Amprotabaco, Fetaesc, Faesc, Senar e Sindicatos dos Produtores Rurais e da Agricultura Familiar. O manifesto será assinado por produtores, lideranças políticas e entidades, e servirá como instrumento de defesa da agricultura regional junto ao Governo Federal e à representação brasileira na COP-11.