O golpe do boleto falso tornou-se um desafio significativo para a segurança financeira no Brasil, atingindo 14,3% da população entre julho de 2024 e julho de 2025. Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha, cerca de 24,1 milhões de pessoas foram vítimas dessa modalidade ou de fraudes via Pix no período, resultando em um prejuízo estimado de R$ 28,8 bilhões. O crime ocorre quando golpistas enviam cobranças adulteradas de serviços essenciais, como água e luz, por canais digitais ou correspondência física, direcionando o valor pago para contas de terceiros enquanto a dívida real permanece ativa.
As táticas utilizadas pelos criminosos envolvem o uso de identidade visual idêntica à das empresas oficiais e a manipulação psicológica através de mensagens de urgência, ameaças de corte de serviço ou ofertas de descontos. O esquema é muitas vezes potencializado pelo uso de informações precisas obtidas em vazamentos de dados, permitindo que os falsos boletos cheguem ao consumidor no momento exato em que ele espera uma cobrança legítima. Além disso, a criação de sites clonados e perfis falsos de atendimento em aplicativos de mensagens é uma estratégia comum para enganar quem busca emitir a segunda via de documentos.
Para evitar prejuízos, é fundamental adotar uma postura de vigilância antes de finalizar qualquer transação. As principais medidas de segurança incluem:
- Verificar se o domínio do e-mail do remetente é oficial;
- Conferir se os dados do beneficiário no aplicativo bancário correspondem à empresa credora, desconfiando caso apareça o nome de uma pessoa física;
- Validar os três primeiros números da linha digitável, que devem coincidir com o código do banco emissor;
- Utilizar o sistema de Débito Direto Autorizado (DDA) para monitorar boletos registrados no CPF ou CNPJ.
Caso a fraude seja confirmada após o pagamento, a orientação é entrar em contato imediatamente com a instituição financeira para tentar o bloqueio dos valores. No caso de transações via Pix, é possível acionar o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Além disso, é essencial registrar um boletim de ocorrência e preservar todas as evidências, como o documento falso, capturas de tela das conversas e os endereços de e-mail utilizados pelos golpistas para auxiliar nas investigações das autoridades.